Resenha de Antônio Mariano
 
Novo livro de Frederico Barbosa
 
Antônio Mariano 
 
      Cantar de amor entre os escombros é o novo livro do Frederico Barbosa. A obra, com temática exclusivamente amorosa, foi pinçada das três primeiras obras do poeta pernambucano em seus mais de 20 anos de carreira literária. Traz também algumas peças inéditas. Com um total de 110 páginas, integra a coleção Alguidar da editora paulista Landy (www.landy.com.br). Frederico é autor dos livros Rarefato (1990), Nada feito nada (1993), Contracorrente (2000) e Louco no oco sem beiras (2001). Assim é resumida a sua mais recente incursão poética no prefácio de Clenir Bellezi de Oliveira: “O amor multiplicando em circunstâncias de acasos, permanências, enlevos de alma, sensualidades enroscadas em blues, arrebatamento de corpos, desencontros, encontros epifânicos, tudo isso expresso numa polifonia de efeitos formais de competência rara”.
      Criador voltado para consciência da linguagem e ao mesmo tempo oposto ao tecnicismo perfeito porém oco de funcionalidade desenvolvido por alguns conservadores, este poeta tem marcado uma atuação polêmica, sem receio de externar suas opiniões e indicar as personas non gratas em seu ideário poético e afinidades eletivas. Apontado como concretista por sua declarada de simpatia ao fundadores do movimento da década de 50, Frederico reconhece a influência porém não se considera literalmente um desses seguidores até porque sua filiação vem desde a boa poesia brasileira que começa em Gregório de Matos e passa por João Cabral de Melo Neto. O poema Ao gosto, de feitura comum aos contemporâneos, vem confirmar a observação:
              “dizem:
              todo sabor
              é ilusão
               
              mas a língua
              (na língua)
              desemboca oásis
               
              devota-se
              ao gosto:
              devorar miragens”
      Querelas literárias à parte, Cantar de amor entre os escombros pede leitura daqueles que gostam da boa poesia e, em sendo assim, mantém postura desarmada para conhecer e apreciar dicções poéticas originais. 

Resenha publicada no jornal A UNIÃO, de João Pessoa-PB, 24 de outubro de 2002.
 
Voltar
 
A Poesia de FB
Links de poesia
Leituras na rede
Antônio Mariano